Não sou uma mãe especial

img_9007   Durante a gravidez sonhamos com o nosso filho, como ele será, física e psicologicamente, se sairá à mãe, ao pai, ou a nenhum dos dois… mas acima de tudo queremos que ele seja perfeito e tenha saúde.

   O meu filho tem autismo, não foi obviamente algo que imaginei que pudesse acontecer, mas isso não quer dizer que ele não seja perfeito, é perfeito sim, e o amor incondicional de uma mãe é mesmo isso, aceitar e amar o seu filho seja quais forem as circunstâncias e lutar sempre para que ele seja o melhor que conseguir e para que seja feliz.

   Não sei se fomos escolhidos para ele, ou ele escolhido para nós, ou se tudo aconteceu porque sim. Esta é uma discussão que dava pano para mangas e depende muito das crenças de cada um. Para mim acredito que nada acontece por acaso e fico feliz por ele ser nosso filho, porque tenho a certeza que posso oferecer-lhe aquilo que é mais importante, o amor e o respeito. Infelizmente sei que nem todas as crianças têm essa sorte…

   De qualquer forma não sou uma mãe especial, ou melhor, sou uma mãe especial para os meus filhos, assim como eles são especiais para mim. Não gosto quando, em relação a este assunto, rematam com “se isto aconteceu contigo é porque és especial” (como se isso servisse de algum consolo…). Não sou, sou uma mãe normal e qualquer mãe normal faria tudo pelos seus filhos.

   No fundo não gosto mesmo é de discursos desprovidos de empatia, com frases filosóficas, só para se ficar “bonito na fotografia”, quando na verdade não nos chega qualquer tipo de sentimento.

   E sim, tenho um filho portador de uma condição que traz consigo inúmeros desafios que requerem um pouco mais de paciência e energia que o habitual, que me traz um pouco mais de preocupações e alguns obstáculos que me empenho em ultrapassar.

   Não espero que a maioria entenda, até porque a capacidade de nos colocarmos no papel do outro é algo que falta a muita gente. Não quero “palmadinhas nas costas” nem quero discursos filosóficos. Mas também não quero que desvalorizem os meus sentimentos, que me digam que são coisas normais e que as minhas dificuldades e lutas não fazem sentido. Sim, fazem sentido para mim e são importantes para mim, assim como outras pessoas têm as suas próprias dificuldades e lutas.

   Portanto o que peço é respeito, por mim e pela minha família, e por todas as pessoas. Porque acho que o que muita falta faz hoje em dia é o respeito pelos sentimentos dos outros. Assim, se nada tens a acrescentar à vida de outra pessoa, se não entendes e se não tens a capacidade de te imaginar na pele do outro, talvez o silêncio seja a melhor saída.

   Obviamente não sou perfeita, nem especial, já falhei muito neste sentido e em tantos outros, mas a vida é uma constante aprendizagem e admitir os nossos erros e querermos melhorar enquanto seres humanos dá-nos valor. Talvez a minha postura nem sempre seja a melhor, mas é a que faz sentido para mim e a que consigo ter, entretanto vale o esforço de tentar ser a melhor versão de mim mesma.

   E porque muitas vezes não somos nós que perdemos, estou satisfeita com os poucos amigos que tenho e sei com o que posso contar. Porque só quero na minha vida quem me acrescente e quem, embora nem sempre me compreenda, me respeite e esteja sempre a meu lado para o que for preciso… não será isso amizade?!

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